Dia 5
2010-08-07 1:54 PM PDT
A frente ainda domina o coração de trevas da cidade do Rio de Janeiro. As noites escuras, frias e chuvosas facilitam a ocorrência de crimes, uma vez que a segurança piora.
Um homem caminha por uma rua cuja única luminária está com sua lâmpada queimada há pelo menos três meses. A escuridão se intensifica à medida em que o indivíduo avança pelo lugar. Seus passos ecoam em meio às sombras ao seu redor.
Repentinamente ele afunda seu pé esquerdo, no qual ele calçou um All Star regular, em uma poça d'água. O palavrão que ele solta em meio às trevas parece ter sido amplificado pelo silêncio presente. Péssima ideia.
Ouve-se o ruído do destravar simultâneo de pelo menos dez armas de fogo. O homem pára de andar imediatamente.
- Ei, cara. - Alguém diz a aproximadamente 20 metros dele. - Cê não devia tá andando por aí a essa hora da noite.
- É, mermão. - Outra pessoa diz. - Tu não tem visto TV ultimamente?
O homem coça a cabeça.
- Eu não estou procurando encrenca. - Ele diz
Ouve-se o som de risadas.
- Ih, alá o cara, mané! - Uma terceira voz diz. - Se liga, compadre, se tu não esvaziar tua carteira pra nós agora, tu vai amanhecer cheio de formiga na boca!
O homem suspira.
- Eu não estava pedindo. Eu estava avisando.
Ouvem-se mais risadas ainda.
O urubu dá um vôo rasante. Ele busca alimento. Faz algumas horas desde sua última refeição. Ele pousa tranquilamente num poste para descansar, e ouve vozes humanas alguns metros abaixo. Uma coceira repentina surge em sua asa esquerda. Ele se coça com o bico. Então ele contempla o céu nublado, rogando pragas em sua ancestral língua acipitrina. A humanidade já fez miséria demais nesse mundo.
Ouvem-se doze disparos de arma de fogo. O intervalo de tempo entre cada um é fenomenal. Menos de um milésimo de segundo.
O urubu nem sequer se sobressalta.
O homem guarda a pistola de volta dentro da jaqueta. Cidade dos infernos...
Então retoma sua caminhada.
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